Talvez Sim, Talvez Não.

Uma fábula sobre perspectiva; Otimismo trágico; Pare de se preocupar e comece a viver; Dicas para gerenciar as preocupações.

Hoje no Dando o Fora: Uma fábula sobre perspectiva; Otimismo trágico; Pare de se preocupar e comece a viver; Dicas para gerenciar as preocupações.

A semana foi punk. Chuvosa, fria e escura. Arthur com cáries. Pneu do carro furado. E muito mais. O positivo: ela passou. E com ela a gente percebeu que de nada adianta a gente vir falar de imperfeccionismo, de como precisamos ter paciência e amor próprio, se a gente não colocar esses aprendizados em prática. Como diz Derek Sivers no “Hell Yeah or No”: “Um aprendizado não usado é como comida jogada fora”. 

Esses últimos dias foram ótimos para relembrar o porquê de nós estarmos aqui com vocês, semana após semana. Meu psicólogo me perguntou: “Thaís, o quanto do que vocês escrevem é para vocês mesmos?”. Sinceramente, eu acho que tudo aqui é primeiramente para a gente. Uma forma de sentarmos, pararmos para pensar e conectar os pontos. Vemos nossos amigos como parceiros de responsabilidade (Commitment buddies soa tão mais descolado). Pessoas que nos lembram das nossas inconsistências e assim nos ajudam a crescer cada vez mais. 

Acima de tudo, essa semana foi sobre comemorar as pequenas vitórias (por exemplo, finalmente desarrumamos as malas do Brasil), focar nos desafios e problemas que podíamos resolver, e dar valor às coisas que temos aqui agora, como os momentos que pudemos passar assistindo esse maravilhoso documentário, A vida no nosso planeta, com nosso filho banguelinha aproveitando o barulho da infindável chuvinha do outono Parisiense.

Bora dar o fora nas preocupações?

Dando o fora em…

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Talvez sim, talvez não: uma fábula sobre perspectiva.

Um fazendeiro e seu filho tinham um cavalo muito querido que ajudava a família a ganhar a vida. Um dia, o cavalo fugiu e os vizinhos exclamaram: "Que azar!" O fazendeiro respondeu: "Talvez sim, talvez não".

Alguns dias depois, o cavalo voltou para casa, levando com ele três cavalos selvagens de volta para a fazenda. Os vizinhos gritaram: "Que sorte!" O fazendeiro respondeu: "Talvez sim, talvez não".

Mais tarde naquela semana, o filho do fazendeiro estava tentando domar um dos cavalos que o jogou no chão, quebrando sua perna. Os vizinhos gritaram: "Que azar!" O fazendeiro respondeu: "Talvez sim, talvez não".

Algumas semanas depois, soldados do exército nacional marcharam pela cidade, recrutando todos os homens para o exército. Eles não levaram o filho do fazendeiro, porque ele tinha uma perna quebrada. Os vizinhos gritaram: "Que sorte!" Ao que o fazendeiro respondeu: "Talvez sim, talvez não".

Eu, Thaís, já tinha escutado essa fábula antes. Minha mãe adora contá-la. Mas essa semana ela reapareceu duas vezes para mim. Justamente numa semana em que eu estava precisando ser relembrada de que, aconteça o que acontecer em nossa vida, nunca teremos certeza das consequências futuras. 

A semana começou com a notícia de que Arthur estava com uma super cárie no seu dentinho de leite e por isso teria que removê-lo. Além disso teria que tratar outras três(!) cáries e colocar um aparelho para que seus dentes não tomassem o espaço do dentinho que ainda vai demorar para nascer.

Como pais, ficamos desolados. Um sentimento imenso de culpa, de não entender como foi que isso pôde chegar nesse ponto. O medo da dor que ele passaria, a vontade de querer estar no seu lugar. O medo de sentar com ele na sala da dentista. Mas, conversando com nossos amigos e familiares, fomos relembrados das nossas próprias palavras da semana passada: ninguém é perfeito. Além disso, quem sabe isso não pode servir para evitarmos um estrago ainda pior no futuro.

Como uma amiga disse, agora Arthur vai ficar mais preocupado em cuidar dos dentes e nós muito mais ligados na sua saúde. Não acredito que isso tenha a ver com determinismo. Não é que isso tinha que acontecer. A lição é que nunca se sabe quais serão as consequências do “azar” ou da “sorte”. As coisas podem parecer ótimas no início, mas com o tempo podem não se tornar o que você imaginara (nestes casos, em pouquíssimo tempo). Da mesma forma, talvez você se sinta mal com alguma coisa hoje, mas um dia pode ser que isso dê espaço para coisas altamente positivas.

A vida é impossível de prever. Quando a gente se dá conta disto, não abrimos espaço para julgamentos, pois nada é realmente preto ou branco.

É impossível controlar o futuro. Tudo o que podemos controlar é como enfrentamos cada momento. E Arthur foi um campeão. Encontramos uma ótima dentista, carinhosa, atenciosa, cuja consulta vem até com um cachorrinho lindo para apoio emocional, e tudo se resolveu em 30 minutos. Bom? Ruim? Talvez sim, talvez não.

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Otimismo trágico: uma ferramenta psicológica para tempos difíceis.

O conceito de "otimismo trágico" sugere que abraçar tanto a dor quanto a alegria, em vez de se concentrar apenas no positivo ou esperar que a vida seja difícil, pode aumentar a resiliência e contribuir para encontrar alegria e significado na vida. Viktor Frankl, um sobrevivente do Holocausto, descreveu essa ideia pela primeira vez em 1949 e, desde então, ela tem sido aplicada de forma mais ampla. Numerosas pesquisas em psicologia demonstram que se trata de um conceito muito útil, sobretudo em tempos difíceis, porque “nos permite ver com clareza e aceitar o que é ruim, mas também estar cientes de que podemos decidir como reagir a tudo o que acontece, seja o que for”.

Considere esse estudo que acompanhou indivíduos após os ataques de 11 de setembro e que demonstrou que, apesar da predominância das emoções negativas, emoções positivas como gratidão, interesse e amor também coexistiram. Os pesquisadores argumentam contra a visão das emoções positivas como meras distrações agradáveis, afirmando que elas desempenham um papel ativo no enfrentamento e na prosperidade diante da adversidade. Os resultados indicam que: 1) cultivar emoções positivas após a crise traz benefícios de curto prazo, melhorando as experiências e o enfrentamento, e benefícios de longo prazo, reduzindo a depressão e promovendo recursos duradouros; 2) os indivíduos mais resilientes não apenas aceitaram o que aconteceu, mas também apresentaram abordagens otimistas, entusiasmadas e enérgicas da vida.

No mundo desafiador de hoje, o otimismo trágico se torna crucial, reconhecendo que há muito com o que se preocupar, mas enfatizando a importância de não nos tornarmos pessoas quebradas no processo de consertar um mundo quebrado. Esse conceito se alinha com o pensamento não dual apresentado no livro Master of Change, a capacidade de manter duas ideias aparentemente concorrentes ao mesmo tempo, o que é essencial para a saúde mental, o progresso sustentável e a navegação pelas mudanças e incertezas.

No fim, não podemos mudar todas as circunstâncias nas quais nos encontramos. Mas podemos viver para que quando olharmos para trás, seja possível reconhecer que, sim, foi um tempo difícil, mas pelo menos fizemos o melhor uso possível dele.

Quando não podemos mais mudar uma situação, somos desafiados a mudar a nós mesmos.

Viktor E. Frankl, Em Busca de Sentido

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Pare de se preocupar e comece a viver.

Quando eu, Vini, estava em Yale e via meus amigos debruçados sobre livros de auto-ajuda para aspirantes a milionário, eu me prometi que jamais poria os olhos em livros do Dale Carnegie, como Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas. Para mim, era o tipo de leitura de baixo calão que liam os magnatas e lobistas de Wall Street para aprender a manipular “cidadãos de bem”. Uma década mais tarde, saindo de um momento depressivo, eu quebrei sem querer minha promessa ao comprar Como Evitar Preocupações e Começar a Viver, dica do mesmo Derek Sivers que mencionamos lá no começo da newsletter, e escrito pelo mesmo Dale Carnegie por quem eu nutri um baita preconceito por tantos anos. Foi a melhor quebra de promessa possível, e um ótimo aprendizado sobre como temos que estar abertos a dar o fora em convicções ferrenhas para expandir nosso conhecimento (um teaser da próxima newsletter!).

Altamente moderno para um livro escrito em 1948, Como Evitar Preocupações é cheio de narrativas fascinantes sobre pessoas que conseguiram domar suas preocupações e o stress que vêm com a mania que todos temos de controlar cada elemento das nossas vidas. Carnegie enfatiza a importância de viver no presente, lidar com os problemas conforme eles surgem, e evitar o excesso de preocupação com o futuro. Ele sugere que ao enfrentarmos as situações de frente e aprendermos a aceitar o inevitável, podemos reduzir o peso das preocupações em nossas vidas, inclusive evitando danos à nossa saúde. Se, apesar dos problemas, mantivermos uma perspectiva positiva, concentrando-se no que está ao nosso alcance e buscando soluções práticas, podemos drasticamente melhorar nossa qualidade de vida.

Dando o fora:

Como gerenciar as preocupações?

Em Como Evitar Preocupações e Começar a Viver, Carnegie traz várias dicas práticas sobre como podemos mudar nossa mentalidade e aprender a deixar fluir a vida e seus infindáveis problemas. Escolhi minhas favoritas pro “Dando o Fora” desta semana.

Para analíticos ferrenhos: 3 técnicas básicas para analisar preocupações

  1. Busque os fatos. Metade do stress do mundo é causado por pessoas tentando tomar decisões sem uma base factual suficiente.

  2. Após considerar atentamente todos os fatos, tome uma decisão.

  3. Ao tomar uma decisão, implemente-a! Foque na implementação do que foi decidido e deixe de lado as preocupações e ansiedades sobre os resultados. 

Para espirituais e/ou religiosos: A prece da serenidade

"Concedei-me, Senhor, a serenidade necessária

para aceitar as coisas que não posso modificar, 

coragem para modificar aquelas que posso, 

e sabedoria para distinguir umas das outras."

Para pessimistas: Maneiras de cultivar uma mentalidade positiva

  • Preencha sua mente com pensamentos de paz, coragem, saúde... Como escreveu Marcus Aurelius: "Nossa vida é o que nossos pensamentos fazem dela”.

  • Conte suas bênçãos, não seus problemas.

  • Esqueça sua infelicidade criando um pouco de felicidade para os outros.

Para quem não tolera riscos: A fórmula mágica de Willis H Carrier

Ao notar uma grande preocupação com algum problema ou situação, faça o teste:

  1. Pergunte-se: “O que é a pior coisa que pode acontecer?”

  2. Prepare-se para aceitar este resultado, caso venha a acontecer.

  3. Aí você pode, calmamente e a seu ritmo, ir fazendo o necessário para melhorar o “pior cenário” possível.

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