Evitando a Fadiga de Decisão

O que é a fadiga de decisão; como reconhecer seus sintomas; estratégias para evitar a fadiga; achando o equilíbrio para tomar decisões acertivas e acertadas.

Hoje no Dando o Fora: O que é a fadiga de decisão; como reconhecer seus sintomas; estratégias para evitar a fadiga; achando o equilíbrio para tomar decisões assertivas e acertadas.

Hoje acordei cansada e fiz algo que nunca faço: apertei o snooze (Botão de soneca). Quando ia levantar, minha gata veio se aninhar e eu decidi ficar um pouco mais com ela. No café, ao invés de seguir a dieta, resolvi fazer um mingau de aveia. Como estamos de férias, Arthur perguntou o programa de hoje. Vamos ao parque? Vamos ao cinema? Ficar em casa? Limpar a casa? O que vamos almoçar? Antes mesmo do meio dia, eu já estava exausta. Decidi hoje que não ia decidir. Me arrumei, saí de casa, deleguei todas as decisões e tarefas ao Vini e minha mãe, e vim sentar em um café para trabalhar no Dando o Fora dessa semana. Quando saio muito da rotina, percebo que me sinto um pouco estressada. As muitas opções de comida, atividades, filmes, livros, acabam roubando minha energia. Procrastinando decisões, acabei pesquisando sobre quantas decisões tomamos diariamente. 35.000! Mesmo que esse número seja somente uma estimativa difícil de ser comprovada, não é à toa que nos sentimos cansados e às vezes com vontade de jogar tudo pro ar.  Não é à toa que acabamos procrastinando ou evitando decisões importantes, quando nossa energia se esgota com as milhares pequenas e grandes decisões que se acumulam no dia a dia.

Quando você estiver lendo esta newsletter, já será 2024. Então Feliz Ano Novo e um enorme agradecimento por nos acompanhar toda semana!

E para dar o dentro de forma bem assertiva em 2024, bora dar o fora da fadiga de decisão?

Dando o fora em…

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Fadiga de decisão: o que é?

Depois de um dia muito longo tomando decisões (o que vestir, o que comer, que caminho pegar, o que comprar), independentemente da dimensão delas, voltamos para casa completamente exaustos. 

Enquanto Presidente, Barack Obama usava basicamente a mesma roupa todos os dias para reduzir as decisões mundanas e frustrantes e administrar melhor sua energia. “Você verá que eu uso apenas ternos cinza ou azuis”, disse ele. “Estou tentando reduzir as escolhas. Não quero ter que escolher sobre o que estou comendo ou usando porque tenho muitas outras decisões a tomar.”

A fadiga da decisão é um fenômeno através do qual a qualidade das nossas decisões diminui após uma longa sessão de escolhas. Essa teoria ajuda a explicar porque as pessoas normalmente sensatas se irritam com colegas e familiares no final do dia, porque fazer compras no supermercado pode ser tão cansativo e porque juízes dão decisões mais severas em fim de expediente. “A probabilidade de ser libertado é de duas a seis vezes maior se você for um dos três primeiros prisioneiros considerados num certo dia, em comparação com os três últimos”, afirmou Jonathan Levav, co-autor de um estudo que analizou mais de 1.100 decisões de um conselho de liberdade condicional em uma prisão israelense em um período de um ano.

Não importa o quanto tentamos ser racionais e bem-intencionados, a gente não pode tomar decisão após decisão sem pagar um preço biológico: o esgotamento da força de vontade (ou do ego). Quando nossa energia se esgota, o cérebro procura atalhos. Um atalho é agir impulsivamente em vez de gastar energia para refletir sobre as consequências. O outro atalho é a melhor forma de economizar energia: não fazer nada (procrastinar).

Mentalmente esgotados, relutamos em fazer concessões, o que envolve uma forma particularmente avançada e complexa de tomada de decisão. Ao esgotar nossa força de vontade, nos tornamos o que os pesquisadores chamam de avarentos cognitivos, cedendo à preguiça cognitiva e escolhendo o caminho mais fácil para economizar energia mental.

Os entendedores entenderão. Nota: O Vini não entendeu…

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Fadiga de decisão: sintomas e estratégias.

Um dos problemas da fadiga de decisão é que ela nos deixa vulneráveis a manipulações. Por exemplo, profissionais de marketing sabem muito bem como alinhar e cronometrar suas vendas, como Jonathan Levav, professor de Stanford, demonstrou em experimentos envolvendo ternos sob medida e carros novos. Seus estudos demonstraram que a quantidade de opções e a ordem como elas são apresentadas aos clientes para o design personalizado de um terno ou de um carro afeta significativamente o preço final do produto. À medida que a fadiga de decisão se instalava, os indivíduos tendiam a se contentar com as opções padrão, especialmente depois de se depararem com decisões desafiadoras no início do processo. Ao manipular a ordem das escolhas, os pesquisadores observaram variações nas opções escolhidas pelos clientes, o que levou a uma diferença média de mais de 1.500 euros, no exemplo do carro.

Nossos ancestrais provavelmente sofreram menos com a fadiga de decisão, pois eram menos sujeitos a opções infindáveis (principalmente de consumo). Na era digital, a abundância de opções sobrecarrega nossa mente.

  1. Procrastinação ou abandono de decisões: A resposta à fadiga de decisão inclui adiar decisões ou evitar determinadas situações que necessitem escolhas.

  2. Impulsividade: Após um dia de tomada de decisões complexas, deixamos os impulsos nos levar na direção de escolhas precipitadas e menos cuidadosas.

  3. Exaustão: A fadiga da tomada de decisões é física, mental e emocionalmente desgastante, levando a um estado de exaustão.

  4. Névoa cerebral: A fadiga de decisão pode se manifestar como dificuldade de completar frases, uma linha de pensamento errante, esquecimento ou distração durante conversas.

  5. Irritabilidade: As pessoas que estão sofrendo de fadiga de decisão podem demonstrar impaciência ou irritação com os outros por questões triviais.

  6. Sentimento de sobrecarga: A fadiga de decisão pode contribuir para uma sensação de sobrecarga, o que torna difícil gerenciar várias tarefas ou responsabilidades de forma eficaz. No dia-a-dia familiar, o acúmulo de sobrecarga afeta principalmente as mulheres, indicam dados recentes do IBGE.

  7. Desconforto físico: O estresse causado por decisões desafiadoras pode resultar em sintomas físicos, incluindo dores de cabeça, tremores nos olhos, náuseas e outros problemas digestivos.

Os estudos do psicólogo social Roy Baumeister mostram que as pessoas com melhor autocontrole são aquelas que estruturam suas vidas de modo a conservar a força de vontade. Para isso:

  1. Automatize: Reduza sua carga cognitiva simplificando e automatizando as escolhas da vida cotidiana tais como que tipo de roupas usar, que marcas de comida comprar e, que newsletters ler (#DandoOFora, óbvio).

  2. Delegue com responsabilidade: Permita que outras pessoas tomem decisões por você, reconhecendo a possibilidade que erros ocorram. 

  3. Priorize o sono: Pesquisas sugerem que indivíduos bem descansados decidem melhor, têm melhor controle dos impulsos, regulação emocional e julgamento moral.

  4. Incorpore exercícios: Qualquer forma de exercício, até mesmo a caminhada, contribui para a função cognitiva e saúde mental.

  5. Gerencie o estresse: Pratique mindfulness e meditação diariamente para reduzir a sensação de sobrecarga e aumentar a autoconfiança ao enfrentar decisões desafiadoras.

  6. Priorize o autocuidado: Estabelecer uma rotina de autocuidado é fundamental para evitar a fadiga da decisão ou melhor gerenciá-la. Cuidar da sua saúde mental não é egoísmo.

  7. Se planeje: Evite agendar reuniões intermináveis e consecutivas. Agende as reuniões importantes ou trabalhe nos itens prioritários no início do dia.

  8. Use o conhecimento em seu favor: Evite tomar decisões com o estômago vazio ou no final do dia. Deixe para tomar decisões após uma boa noite de sono ou após uma pausa restauradora.

Os melhores tomadores de decisão são aqueles que sabem quando não devem confiar em si mesmos.

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Como tomar decisões assertivas.

A filósofa Lúcia Helena Galvão traz nessa palestra várias estratégias para tomarmos decisões assertivas em nossas vidas, e para que realmente possamos escolher e não sermos escolhidos (influenciados). 

Thaís assistiu a essa palestra três vezes nos últimos meses, e essas são suas principais anotações:

A virtude do discernimento: Precisamos aprender a separar as essências das coisas, o que é adequado do que não é. O que é essencial. Para isso, precisamos refletir bem sobre a pessoa que queremos ser. Assim, toda vez que tomarmos uma decisão podemos nos perguntar: essa decisão está me aproximando ou me afastando dos meus valores? Da pessoa que quero ser?

Use o bom senso: Devemos praticar as boas reflexões ao fazer pequenas escolhas ponderadas, pois assim nos preparamos para as grandes escolhas. 

Não decida baseado em gostos. Gostos são passageiros. Se decidimos somente pelo o que gostamos ou queremos e não pelo o que devemos, acabamos decidindo sempre em função do que é fugaz e não do que é duradouro. Precisamos educar nossos gostos para gostar de coisas que nos façam crescer, que estejam alinhadas aos nossos valores (te ajudamos a identificar seus valores essenciais na seção #DandoOFora desta newsletter). 

Evite a normose. Se 100 milhões de pessoas pensam da mesma forma, não estão pensando e sim sendo pensados. Não precisamos ser iguais, mas sim complementáveis, únicos e alinhados à nossa identidade. Só porque algo é socialmente normal não quer dizer que seja bom moralmente ou até mesmo bom para você (sobre o tema, nosso livro favorito é O Mito do Normal do Gabor Maté). 

Não deixe que o tempo decida. Quando tomados pela fadiga de decisão, podemos fazer uma pequena pausa para avaliar nossas opções, mas não podemos achar que o tempo vai resolver nossos problemas. Na verdade, isso não é uma escolha, é o abandono da escolha. 

Confúcio sobre a prudência: O homem sábio é aquele que pensa duas vezes antes de decidir. Se ele pensa uma só, ele é imprudente. Se pensa três, ele é um tolo. Precisamos encontrar um equilíbrio entre impulso e procrastinação. Pensar na medida certa.

A arte de decidir inclui a arte de questionar.

Dando o fora:

Dando o fora na fadiga de decisão: Encontrando o equilíbrio

Uma forma de encontrar esse equilíbrio vem dos modelos mentais de tomada de decisão do Tim Ferriss:

  1. Tome decisões reversíveis (ou reparáveis) o mais rápido possível. Decisões como qual pasta de dente comprar ou que airbnb alugar (se for facilmente cancelável) não precisam ser perfeitas: preserve sua energia para as decisões que importam, cujos riscos são maiores e os impactos mais duradouros.

  2. Para as decisões importantes e duradouras faça uma análise de risco-benefício para as diferentes opções ao invés de uma lista de prós e contras. Ao considerar os diferentes pesos e diferentes simetrias entre os riscos e as possibilidades, você terá muito mais informação para escolher do que simplesmente uma lista de coisas que poderiam dar certo ou errado. 

  3. Use sua intuição. Procure por um sim de corpo inteiro. Examine a cabeça, o tórax, o intestino - procure um sinal de "sim" em todas as três áreas - essa é a única situação para dizer sim a uma decisão de grande porte. Talvez seja mais fácil procurar por sinais de não. Tim explica que se ele sentir alguma contração com relação a uma decisão, isso já significa um não. Se a intuição diz não, ouça.

Esse último ponto pode ser completado com essa aula de Eckhart Tolle sobre como tomar decisões com presença.  De acordo com o Meister Eckhart, o mais importante para tomar decisões é quais perguntas precisamos fazer para obter mais informações e fatos para poder chegar a uma decisão. Quando temos as informações que precisamos, precisamos então conectar esse conhecimento conceitual com nosso conhecimento intuitivo mais profundo, ignorando os impulsos emocionais.

Quando em dúvida você pode deixar a decisão para o dia seguinte, ou a semana seguinte (se o assunto permitir). Caso você ainda sinta a mesma coisa, é provável que essa decisão esteja vindo de um nível de consciência mais profundo, já que um impulso tende a se dissolver rapidamente.

Acima de tudo, lembre-se: você não está sozinho. Desejamos a você um ano repleto de experiências, aprendizados, realizações e que você possa dar o fora em comportamentos que estejam te afastando das suas metas. Esperamos poder continuar com vocês “every step of the way”. 

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